Eu definiria como o ano de simplificar e compartilhar. E o que 2006 promete? Olhar o passado para entender o futuro é o lugar comum mais visitado entre os historiadores, analisar 2005 serviria para prever um pouco do que 2006 vai trazer? Há quem diga que 2005 foi tão importante que pode-se prever mais do que simplesmente 2006. Então vamos relembrar.
O ano em que a evolução dos web services ganhou nomes bonitos como WEB 2.0 teve exatamente essa evolução como destaque. Transformar a web em plataforma não era a novidade, a grande novidade era que isso estava e está sendo feito da forma mais simples possível. Fazer aplicações simples de usar, mais até que os programas e sistemas operacionais offline é o que caracteriza essa fase, ou versão, da web.
O que se esperava de 2005? Um estouro da banda larga e com isso as mídias ricas (leia-se Flash) teriam o terreno perfeito para se difundir e dominar a internet com suas cores, movimentos e piscadelas. Mas o que acabou acontecendo foi o começo da deturpação de quase tudo o que o Flash prometia como mídia rica por meio de uma simplificação desta.
Sem precisar de plugins proprietários o Gmail trouxe, além de seu então explosivo 1GB de capacidade, uma experiência rica e com todas as características fundamentais de sucesso na internet hoje: rapidez, simplicidade, flexibilidade, inovação e tudo isso sem precisar abrir nenhum IM ao lado do relógio do sistema ou gastar “apenas 2 minutinhos” para instalar o Flash Player. É certo que o Gmail surgiu em 2004, mas as mudanças que ele acarretou só foram claramente notadas em 2005. A grande ironia é que o rico era simples e eficiente sem perder o glamour e sem perder a tal riqueza. O JavaScript foi redescoberto notoriamente com a ajuda do Google e que sem nenhuma dúvida é a grande empresa de 2005. Gmail virou não só um exemplo de WEB 2.0, mas um dos grandes responsáveis pelo começo dela, mudando o conceito de webmail que antes era de perda de tempo e de última alternativa a clientes como Outlook.
Em 2005 o Google começou realmente a mostrar a que veio. Dominar o mundo? Não sei, mas se o seu objetivo era organizar toda e qualquer informação, por que não fazer isso com o próprio mundo? Organizar mapas e achar o que você quer neles virou febre entre as grandes empresas que depois do Google Maps e Earth mostraram ao mundo que se elas quiserem, em algum tempo você estará na janela de casa usando as super câmeras dos satélites como webcam particular. Exageros a parte, 2005 foi o ano do Google e suas inovações.
A empresa conquistou o Brasil não só com imagens de satélite, Gmail e buscas na web. “Meio sem querer” os brasileiros se viram aglomerados num serviço da empresa que agora tem nas mãos informações muito úteis de grande parte dos internautas brasileiros e que, enquanto eles decidem o que fazem com tanta informação, disputam quantidade de recados e estrelinhas de fãs com o mais novo amigo popular. Tirar foto agora é para colocar no álbum ou no perfil do Orkut, que virou “Orkút”, Gaia, Gazzag, Uolkut, UOL K…
Fotografia digital essa que se popularizou desde 2002, em 2005 acabou revelando uma necessidade não só de se mostrar em fotologs e Orkut, era preciso que o mundo as encontrasse, organizadas de forma inteligente e simples. Para isso os flogs já não eram o bastante, para a tristeza de quem apostou numa cópia qualquer desses sistemas. Tanta concorrência entre eles, o que se esperava era um avanço, mas aconteceu melhor: uma equipe pensou em inovar, começaram do zero, esquecendo o conceito velho do fotolog e inventando o seu próprio conceito, o Flickr, que não é só um avanço do sistema de fotologs, é totalmente novo e que inclusive está sendo desastrosamente copiado pelos, agora velhos, fotologs.
Mas nesse ano, copiar também podia ser vantegem, contanto que você use, melhore e devolva melhorado, essa é a filosofia da comunidade do código aberto, compartilhar conhecimento. 2005 foi um marco importante para o código aberto e o software livre, nunca o movimento foi tão forte e nunca ganhou tanta força. Essa veio de vários lugares, desde um navegador inovador, Firefox, até uma enciclopédia online, Wikipédia, com conteúdo totalmente aberto e que virou referência até de pessoas que nunca ouviram falar em código aberto. Esse também foi o grande trunfo do Firefox que conquistou usuários que achavam que internet era o duplo clique no ícone azul da área de trabalho, que sequer tinham instalado um programa de computador e que agora conseguiram abrir a visão para uma questão fundamental: tinham liberdade para escolher e o ícone azul não era a única “janela” para a internet. De alguma forma acabou ajudando até o Linux. O OS ainda ganhou força com o apóio do Governo Federal e toda sua dramática empreitada da inclusão digital. Os governantes podem até não ter dado ao Linux o apóio esperado, mas ajudaram fazendo barulho e chamando atenção para o sistema. Juntar conhecimento de todos para todos é uma coisa que vai além de um Sistema Operacional ou uma enciclopédia aberta.
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Walmar Andrade em 21 de Dec de 2005 às 15:53 disse:
Boa retrospectiva… só faltou aí del.icio.us e Netvibes, estariam eles na segunda parte?
» Retrospectiva 2005 [parte 2:2] em 23 de Dec de 2005 às 21:47 disse:
[...] Se ainda não leu, leia a parte 1. Em tempos de compartilhamento de conhecimento, um fenômeno interessante aconteceu: depois de perder espaço para os velhos fotologs, a moda dos blogs voltou com força total fazendo mais e mais parte da vida das pessoas, influenciando a imprensa[...]
Cleiton.net em 31 de Dec de 2005 às 06:51 disse:
Feliz 2006
Em primeiro lugar, gostaria de pedir desculpas pelo meu sumiço, já faz tempo que não posto nada. É que quando chega essa época do ano a correria é muito grande, apesar do recesso na empresa, as tarefas pessoais acumuladas me deixaram muito dist…